EM CURSO

EM CURSO

 

 MAGDA DELGADO  | DEPOIS DO ABISMO : ORDEM E CAOS
21.03.2019 - 15.05.2019
INAUGURAÇÃO: 21 MARÇO, 19H00 - 22H00
+ infopress release 
 
 
DO NEGRO AO NEGRO E A OBRA IMPOSSÍVEL
Carlos Vidal
 
Dos desenhos, pinturas, fotografias e gesso (negro, sempre negro de onde emergem linhas ou formas cor-de-rosa), surgem, em movimento circular, sinais de fim e recomeço da civilização, humana, demasiadamente humana. 
Vejamos: o humano, a civilização no fundo, extingue-se inevitavelmente – ora isso entendemos, porque esta é a Obra do Homem, a sua própria extinção, mas esta Obra contém também um desejo (continuar sem descrição, norma?): portanto, um poliedro cor-de-rosa fica escondido num livro (que é aqui um “livro de artista” – e desaparecerá tudo menos a arte e a linguagem?), e esta forma geométrica assinala um reinício, ou o que resta para haver reinício (a autora fala em “reset”), e a este momento junta-se a linguagem (nova?) com que todos os animais se entendem, diversamente da Babel humana. 
Mas, e o poliedro? 
Quem o colocou no livro, neste livro do reinício dos mundos? E quem, no fundo, deseja o reinício? Não o saberemos.
Ou seja, o Homem não deseja perpetuar-se, ele termina em negro e sem luz solar (ver pinturas, polaroids e livro), e é desde os animais (com acesso à linguagem) e de uma luz rosa que tudo ressurge, porque os Homens não controlam este novo emergente entendimento.
Os novos seres libertam-se de uma espécie de “maldição” (o estabelecimento do pensar) gizada por Rousseau: se se nasce dos ou com os saberes, deixa-se de ser humano, livre, “cidadão” e tudo volta ao mesmo ponto, do negro ao fim. Depois da destruição, ou da “obra ao negro” alquímica (que é a arte), depois da “obra ao branco” e “ao vermelho”, o chumbo (e muitas destas pinturas têm o “peso” do chumbo) transmuta-se em ouro. 
Mas esta exposição é um pouco diferente da citada aventura “científica”, a sua teogonia negra faz que daí surja ordem e caos (e, em Hesíodo, é o caos que gera a noite), e do caos o impossível. 
Impossível para nós, mas talvez possível para o desconhecido imaginário que daqui desponta, deste “silence des bêtes” (Elisabeth de Fontenay) ou desta “perfeita imperfeição do negro” (Badiou). Imaginário e mundo novo onde tudo continua sem ser visto. Por isso será novo e inédito. Nova visão. E é muito importante que aquilo que vem e virá já não seja “Obra”. Regra, medida.










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