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 INÊS TELES  | PAIRAR ADENTRO
INAUGURAÇÃO: 11 OUTUBRO, 19H00 - 22H00
EM CURSO: 2018.10.11 - 2018.12.21
+ info | press release 
 
A obra de Inês Teles está suspensa no tempo. Paira do interior da galeria e prolonga-se para o exterior, para o mundo, desde logo a partir de cada espectador a que se entrega. É um trabalho livre, profundamente estético, que não se deixa condicionar e restringir ao espaço no qual se expõe, pois a sua própria natureza não é fixa e constante, antes pelo contrário, é transitória e mutável. 
Inês Teles compreende que nada é absolutamente estável, sólido, mas que tudo é efémero e, até certo ponto, líquido, aplicando essa ideia na relação que estabelece com as disciplinas e técnicas através das quais se exprime. No caso da pintura, uma das áreas à qual se sente particularmente próxima, a artista entende que essa expressão, primária e tradicional, pode existir em diversos estados, independente de qualquer suporte. É, pois, ultrapassando as barreiras que determinam essa prática, que liberta a mesma de qualquer limite, permitindo-a ser ampla, heterogénea, plural e assumir diferentes faces, ser bidimensional e tridimensional, representativa e abstrata ou, ainda, existir puramente na forma de prova cromática. Deste modo, a artista explora e trabalha inúmeros processos, usufruindo das mais variadas possibilidades que estes comportam. Traça, assim, um percurso complexo e singular do qual resultam objetos que refletem as suas tão livres construções e transformações, sendo estas possibilitadas, também, pelos singulares elementos utilizados na produção artística. 
Inês Teles conhece profundamente tudo o que utiliza para criar. Interessa-se pelos vários materiais a que recorre e procura, realmente, compreendê-los e respeitá-los. Consecutivamente, reconhece-os não somente enquanto ferramentas e suportes, mas também como fragmentos, componentes, corpos do objeto final. A seleção da técnica e da matéria-prima é o primeiro passo de uma contínua construção que surpreende a própria autora. Por isto, a descoberta das suas peças por parte do público, que requer ser atenta, observadora, demorada e progressiva, é, em parte, semelhante à própria fase e ao momento produtivos. 
O caminho da artista é através da esfera da experimentação, num avanço e numa procura absolutos e irrestritos que, por isso mesmo, se materializam num trabalho tão contemporâneo e atual. 
Ao papel, ao tecido, à resina cristal, ao verniz, à cor, à pintura pulverizada e aos imprescindíveis pigmentos, o movimento das mãos da artista adapta-se, o ritmo acompanha os gestos e daí irrompem estas criações que, devido a tal naturalidade e clareza construtiva, bem como a uma tatilidade que lhe é tão pessoal, revelam-se abstratas, singulares e irrepetíveis. Indiscutivelmente, tratam-se de obras femininas, sem serem, por isso, redutíveis a uma dicotomia de género, na medida em que este trabalho é, com efeito, múltiplo, transversal e intemporal. A obra funciona, precisamente, num admirável equilíbrio entre extrema sensibilidade e igual transparência sustentadas por uma inteligível assertividade, racionalidade e estudo. 
Encontra-se, ainda, um outro paralelismo entre algumas figuras apresentadas, decorrentes de formas de gradeamentos de janelas que comportam uma certa geometria e outras, mais orgânicas, as resinas Imagens táteis (2018). Estas, concebidas com tal inteligência artística e qualidade estética, parecem obras da natureza. São peças escultóricas que seduzem e capturam o olhar de quem as observa com um encanto que proporciona uma experiência visual e perceptiva ímpares. Têm estrutura, cor e luz. Emanam luz. São objetos que espelham as capacidades plásticas da artista e que constituem exemplos de como algo pode ser tão frágil e, simultaneamente, deter uma força própria de artefacto que se instala em seu redor. Tal como as pinturas, estas formas instalam-se a qualquer espaço em que sejam inseridas e apenas requerem a sua receção e contemplação por parte do espectador. 
A criação de Inês Teles não se estabelece somente numa obra que se expõe, é algo que habita o espaço e habita o outro.
 
Constança Babo
 
 
 
 
 
 PEDRO PASCOINHO  | DISMANTLE - TO DISSIPATE
INAUGURAÇÃO: 21 JUNHO, 19H00 - 22H00
EM CURSO: 2018.06.21 - 2018.09.14
 
 
„ (…) inspirado numa frase de Eva Hesse e título de um catálogo de uma exposição de Solomon R. Guggenheim Museum de Nova Iorque, Abstraction in the Twentieth Century: Total Risk, Freedom and Discipline, comissariada por Mark Rosenthal, decidi contribuir para a leitura da obra de Pascoinho a partir do título da exposição, alterando-lhe a ordem: Liberdade, Disciplina e Risco Total. (…)
As obras apresentadas nesta exposição seguem esta linha. Obras como Contraption, Entrance, Annull/Void, Remnant I, Remannat II, Erase, Withraw Extraction, Order mostram a capacidade que o artista tem de arriscar e de desenvolver um novo corpo de trabalho, que tem como base as pesquisas do passado na figuração mas que, tudo indica, aproxima-se da abstração formal. Abstração no sentido de deixar para trás a representação restrita da figuração com base numa narrativa típica deste género para propor novos caminhos visuais (…)
Estas obras apresentadas na Galeria Acervo apresentam uma viragem no trabalho de Pedro Pascoinho no sentido do abandono do mundo das aparências e a entrada no mundo de um estilo próprio no qual a depuração é claramente um assunto.“
 
Lourenço Egreja (1), Lisboa, Junho de 2018 
(1) Historiador de Arte, Director Artístico do Carpe Diem - Arte e Pesquisa (Lisboa, Portugal), plataforma de pesquisa, experimentação e estudos no âmbito da arte contemporânea, desde Janeiro de 2009.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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